Nota: o texto ficará por baixo de cada foto. No livro será na página da esquerda.
Viajar é olhar o interior, lugar de mistérios imóveis,
ocultando o recanto seguinte, inesperado, reflectido
surpresas que o olhar contempla, detendo-se
no detalhe de um momento, de memórias.
 
Aberta a sala e o recanto onde a pintura preside,
outras se seguindo no cortejo dos passos do olhar
que repousa entre tons de quente
correndo a banhar-se no branco de um xadrez vidrado,
fixando o bronze e os tons quase brancos.
Eis que se depara a frescura de um lugar,
o conforto de uma sesta onde o sonho viaja
rumo aos testemunhos que aqui se revelam.
Anoiteceu para que a laca reviva as histórias que tem,
luz a ocidente, e o jade deitado,
revela-se o oriente
e uma fada anuncia que a rosa adormeceu.
O império assenta por fim, redondo, celestial.
Terracotas cavalgam,
insólitos, os planos multiplicam-se.
Súbita, a fugaz visão de uma policromia.
Outra vida se revela branda e plácida,
ícones convivendo num mesmo céu,
o branco rasga-se na luz,
assomam verticais os objectos,
e uma ponte conduz ao secreto recôndito.
De negro fulge o espaço,
pleno de orientes.
Também o ocidente vive,
e um buda longínquo a tudo preside.
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