O PROJECTO

 

A escolha deliberada do termo Macrocosmos associa este projecto ao Universo e ao holos com que as realidade podem ser olhadas, ponte entre o Micro e o Macro, um e outro tão iguais, tão distantemente próximos, tocando-se nas suas infinitas diferenças de escala.

Este projecto não nasceu de uma observação Darwiniana do muito que nos rodeia, humilde e imperceptível.
Nasceu antes de uma leitura que se doutrinou na própria reflexão existencial proposta pelas paisagens, em que  homem e tempo se conjugaram na sua feitura.

Daí, é a infinita humildade destas paisagens que se constitui numa iconografia cuja plasticidade é o complemento  da sua intrínseca natureza e dos testemunhos em que se constituem.

Serão paisagens? Para mim são. Se mais não significassem, teriam pelo menos a legitimidade plástica que, acessoriamente, nelas descortinei.  

O que se patenteia é uma selecção retirada do muito que optei por não mostrar, porquanto acredito que à abundância se deve contrapôr o frugral, naquilo que tem de austero. Porque essa é, para mim, a essência da existência, naquilo que de mais profundo esta tem.

É também o tempo já aludido, ilusório porque terreno, que me atrai nestas paisagens. Porque se lê em vez de se medir.

 

António Conceição Júnior