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Perdoem-me todos aqueles que esperam uma nota de abertura formal,
literária ou poética, atenta a minha qualidade de representante da
Casa de Portugal em Macau ou o contexto da obra a que esta nota vai
ser aposta.
O formalismo desvirtuaria o entusiasmo, a alegria e o afecto com que
esta iniciativa foi assumida e, para um texto literário ou poético,
não me chegaria o engenho.
Digo, com as palavras de todos os dias, que esta Casa, sem portas
fechadas nem paredes que a limitem, cumpriu um pouco mais da sua
missão – dar visibilidade à capacidade de criação e de realização
dos membros da nossa comunidade, agentes identitários e
enriquecedores dessa realidade complexa que é Macau.
A alma das cidades não reside apenas na sua história, nos seus
monumentos, no seu património cultural, reside sobretudo nas pessoas
que a habitam e é tão mais rica e fascinante quanto mais
diversificadas, criativas e interventoras são as suas gentes.
A comunidade de língua portuguesa tem participado, ao longo de toda
a história de Macau, numa permuta continuada de influências, no
processo fascinante da criação de uma cidade com uma identidade
própria.
António Conceição é, por excelência, um filho e um agente desta
realidade. Artista multifacetado, intelectual criativo e
insatisfeito, humanista em permanente busca do seu próprio
aperfeiçoamento, homem e cidadão sensível e atento, tem dedicado
toda a sua vida à acção cultural, contribuindo de forma permanente
para a preservação e desenvolvimento da identidade de Macau.
Mas, António Conceição é ele próprio o cadinho em que se fundem duas
culturas – a europeia e a asiática - alargando-lhe horizontes e,
quiçá, contradições, cujo processo de resolução conduz a um
permanente enriquecimento cultural e de vivências do Homem e da
Cidade, por trás.
Hoje que Macau está na rota da globalização que arrasa a identidade
de cada lugar, do desenvolvimento económico onde a ambição do lucro
dificilmente respeita valores culturais e humanísticos, é imperioso
defender a identidade desta terra e, nela, a personalidade da
comunidade de língua portuguesa que a integra, realçando e dando
visibilidade às suas realizações colectivas e, como agora,
individuais em que Macau se revê e afirma.
Pelo que fica dito, facilmente se compreende como era urgente,
imperioso, que a Casa de Portugal em Macau promovesse esta exposição
e a presente edição, não só com o entusiasmo, a alegria e o afecto
que acima referi, mas também, se me permites, António, com muito
orgulho de estarmos ao teu lado. Obrigado pelo que és e pelo que
fazes! |