FOTOGRAFIAS EXPOSTAS

 
Da Água      

 

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Faz tempo
que um tempo me tenta,
passando.
e eu, suspenso, hesito
em me dissolver no fio
da gota que sou.
Faz mesmo um tempo...
   
       
Do Risco      

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Perdeu o pintor a paleta,
cegou.
Vestiu-se de chão,
e subterraneamente ousou.
Riram-se todos, cegos.
Eis senão quando vislumbrou...
   
       
Do Metal      

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pela mão do velho alquimista
resgatou-se da vileza o metal.
Já não é metal, e a vileza partiu.
Não cintila, transmutou-se.

Por aqui passou a mão divina,
que, por não existir, se manifesta.
   
       
Da Côr Rubra      

 

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Manes, penates e rubores encontrados
no esconso de oculta parede.
Dos interstícios ecoam sutras murmurados,
exaltando o rubro ardente.
Aí dentro convivem vazios alquebrados,
e o universo repousa para lá do evidente.
   
       
Do tempo escrito      

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Naquele tempo não havia muros,
apenas paredes, contiguidades.
Nada faria supôr que aos tempos puros
viessem outros de atrocidades,
e os homens repetissem
caím e abel.
Trouxeram as paredes da utopia, ficaram os muros.
Já nem deus nem arcanjos escrevem
na mais hermética das escritas.
Ergueram muros e desditas,
e as mãos divinas ... interditas.
   
       
 

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