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Estranhas são as razões e os olhares que nos levam a escolher um rosto, sobretudo quando não se pretende que seja uma máscara, antes encarne uma temática marcadamente Oriental. Pergunto-me hoje porque escolhi Lucília Lara, e não uma modelo destas paragens. Não quero talvez explicar racionalmente, ou talvez me esforce para manter o instinto. O Ocidente sobrevaloriza a Razão sobre o Instinto. Talvez eu os equacione. Isto é, o rosto destes trajes teria forçosamente de lhes ser estranho, talvez lendário, no sentido da distância geográfica e mítica. 
Lucília tem um rosto cuja beleza é cândida, um rosto possível de vestal e, à medida que escrevo, vou vislumbrando a razão do instinto...O modelo tinha de ser do outro extremo do mundo para que tudo fizesse sentido, para que o todo se completasse nos opostos, pois não é alheia em mim a estética de Fídias, de Cellini ou de Leonardo. 
Depois era preciso que eu recorresse à memória para, decantadamente escolher um ícone. Penso que Lucília Lara correspondeu inteiramente ao ideal de uma beleza que não iria colidir com o exotismo das roupagens.
As pessoas podem querer aparentar uma máscara, mas há sempre algo vislumbrável que as trai. 
O trabalho que previamente tive com Lucília Lara no mundo efémero da moda deu-me a perceber que nela, o que a traía era a candura, a suavidade com que olhava e tratava os outros. Uma como que vulnerabilidade, mais aparente do que real, embora a distancia não devesse ser grande.
Assim se procedeu à transfiguração de uma jovem nascida no Norte, a dois passos do Porto, em uma imagem repetidamente envolvida em diferentes roupagens, arquitecturas de momento a que resolvi chamar, precisamente, Envolvências. 
Assim viajou Lucília Lara para este Oriente Extremo onde se revestiu de roupagens inventadas de semi-deusas de um qualquer paraíso. 

António Conceição Júnior 

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