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INTRODUÇÃO Ana Paula Laborinho
«Tant de choses, entraperçues, ne
pourront jamais être vues.» Desassamblages é, antes do mais, um entendimento da arte. Por meio da recriação de móveis, objectos úteis na lógica do nosso quotidiano, António Conceição Júnior indaga a natureza da arte contemporânea na sua complexa religação ao real. Sabemos como o Romantismo de que somos herdeiros, atordoou a consciência ocidental em torno da originalidade do acto de criar o que se impunha como libertação dos constrangimentos clássicos. Mas, ao mesmo tempo, o centramento sobre as formas de expressão permitiu compreender a sacralidade da arte no sentido da sua capacidade de recriar e reinventar mundos. A arte autonomizou-se, assim, da realidade para conseguir interrogá-la mais profundamente, no limite da própria impossibilidade de conhecimento. Não foi por acaso que os românticos alemãs proclamaram que a poesia ocuparia o lugar da filosofia como interrogação do ser e da existência. O Romantismo, apesar da radicalidade da sua poética, iniciou uma consciência da arte como reinvenção e recriação, poder demiúrgico, que sustenta os movimentos contemporâneos. Ora, foi no decurso desse debate de apenas duzentos anos que o ocidente descobriu a arte oriental e reconheceu que ela havia chegado, com muitos séculos de avanço, à compreensão de que a arte não é imitação mas reinvenção gesto sagrado. António Conceição Júnior reúne na sua palavra poética duas fortes tradições que dialogam para refazer o mundo. As peças que junta retomam o princípio essencial da ficção: «e se », esse hipotético que preenche a condição humana de um além a que podemos chamar mente, alma ou estesia. Separar o que está uno para voltar a juntar , desordenando as peças para as deixar sobressair no segredo do seu sentido eis o mistério da criação. O novo retoma ecos das antigas formas, ao mesmo tempo que as distrai e desafia. Desassemblages é um ciclo infinito, Sísifo que nesse percurso se reinventa e procura. Resta-me expressar a satisfação do Instituto Português do Oriente por apresentar esta bela exposição de António Conceição Júnior e desejar que o público se deixe envolver pela interrogação e pelo repto que a percorrem, incessantes. Ana Paula Laborinho Presidente do Instituto Português do Oriente |
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INTRODUÇÃO A SINGULARIDADE MACAENSE EM ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR
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