DES CONSTRUÇÕES  
        José Luís de Sales Marques

 

Uma exposição de António Conceição Júnior

                              Há dias, quando António Conceição Júnior me honrou com o pedido para escrever algo sobre esta exposição, sob o sugestivo título de Des Construções, estava eu a cumprir um dos deveres de ser pai, acompanhando o meu filho mais novo Rafael, nos seus estudos de matemática. A matéria em foco, a decomposição dos números em factores primos, associaram-se imediatamente ao título em epígrafe, na medida em que o exercício que Conceição Júnior se preparava para mostrar ao público equivalia, na sua essência, ao exercício matemático que acabara de realizar.

                              De facto, tanto num caso como noutro, decompõe-se, para que a verdade singela, irredutível, estrutural, apareça em evidência,, mostrando-nos a matéria verdadeira da qual a coisa em si é feita. Depois, a partir daí, com as peças desfeitas, nova realidade é constituída, o objecto é outro, o todo refeito com partes é já um todo diferente do primeiro. Aí, a arte afasta-se da matemática. Dois ao cubo é oito e oito é dois ao cubo, mas a peça original, decomposta, ou melhor dizendo, des construída serea outro objecto qualquer funcionalmente diferente do primeiro, transformada pela alquimia que torna por vezes objectos vulgares em arte, mas nunca a arte na vulgaridade.

                              António Conceição Júnior dispensa introduções. Falta-me arte para o fazer sem caír na vulgaridade.

                              Rendo-me à eloquência de Roberto Carneiro. Só posso grosseiramente repetir o que ele elegantemente significa. António Conceição Júnior representa o melhor que Macau pode produzir em termos artísticos. Que Macau saiba acarinhar o que é seu.

                              Parabéns e um abraço.

José Luís de Sales Marques

Presidente do Leal Senado da Câmara de Macau

 

 

 

 

 

 

 

ACJ

Memória Reconstruída II

 

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