Escritora Macaense
apreciada pela Imprensa Metropolitana


O
apreciado "
SÉCULO ILUSTRADO", de Lisboa, na página literária, dirigida e orientada pelo laureado escritor Guedes de Amorim, insere a seguinte apreciação do livro de contos chineses "Cheong Sam" (A Cabaia) , da autoria da nossa prezada colega de lides jornalisticas D. Deolinda da Conceição, apreciação que, com a devida vénia, transcrevemos:

"Mais um livro de contos! Desta vez - felizmente - são outros os ambientes, outras as personagens, e, diriamos, mesmo, outros os dramas fundos, se, lá na fundura, o homem, de latitude para latitude, mudasse completamente de intrínseoos defeitos e qualidades ... Como consequência de costumes e dramas locais; já que vamos falar do uma autora macalsta, que, da estranha e misteriosa Macau arrancou os seus trabalhos, aduziremos, porém, que, de largo modo, toda a temática deste volume é inteiramente nova com uma teoria de originalíssimas personagens, que, por isso e por tudo, tornom o livro cativante.
"Cheong Bam" (A Cabaia) é o título do livro e assina-o Deolinda da Conoeição, nome já bem oonhecido de revistals e jornais literários portugueses. "Contos Chineses", como a autora evidentemente os classifica, são pequenos grandes dramas de uma cidade portuguesa e oriental, mas, em especial, focada entre a população amarela. Abrange-se, igualmente, a China, castigada pelo inimigo nipónico. São muitos os trabalhos reunidos, e, estamos em crer que, na maior parte, Deolinda da Conceição os conheceu e encontrou, na filmática plasticidade quotidiana, há já muito tempo. Peroebe-se no conjunto do livro, efectivamente, um amadureolmento perfeito de figuras e cenas. Todos os contos se lêem com agrado, e, não é raro, o leitor, como nós, talvez seja levado a aderir, em simpatia, às personagens e aos golpes do destino em que elas se perdem ou salvam.
Prefacia o livro o grande jornalista Afonso Correia, espírito de alta sensibilidade literária e finura critica, que diz, com merecidos louvores para a autora, que, se esta houvesse dado aos seus contos a designação de narrativas, não teria traido, também, a verdade, pois como tal se devem compreender “essas descrições do dia a dia, do hora a bora, do minuto a minuto da vida gloriosa, da vida trágica, da vida romanesca de Macao". São, efectivamente, narrativas a maioria deles. Falta-lhes originalidade técnica, mesmo assim, prendem e seguram a atenção.
Mais do que a biografia de uma cidade, (ou de um povo), num determinado momento histórico, Deolinda da Conceição traçou, no ambiente próprio, e com tintas verdadeiras, uma colectânea de quadros fortemente emotivos em que Macau, na população chinesa, é visto fora e dentro das casas, diremos, fora e dentro das almas. Figuras estranhas, sem dúvida, entrelaçam-se com a vida das coisas, para além da vida das vidas. Escritora de suave estilo, observadora penetrante, que dá a tudo carinho e compreensão, na autora deste livro há uma poetisa que sabe transfigurar, portanto recrear literàrlamente, e com delicada beleza, as vozes que são bem como os perfumes, os queixumes que traduzem revoltas e os silêncios que são heranças de sonhos legítimos e ainda não completamente perdidos.
Na suavidade do seu estilo, Deolinda da Conceição é, acima de tudo, uma escritora humanista, na mais prorunda e nobre acepção. Pode esquecer-se o nome das personagens de "Contos Chineses", mas não se esquecem as suas angústias, os seus sonhos e tragédias. Arrancados à vida, estes contos são, em suma, pequenos dramas que mostram como a felicidade, a despeito de tantas canseiras de apóstolos e renovadores, é ainda sòmente uma palavra e não uma situação permanente, o que talvez jamais seja impossível na imperfeita transitoriedade humana...
(Ed. de Francisco Franco, com uma capa sugestiva do artista Bernardino de Senna Fernanes, também macaísta)”.

Do conceituado matutino lisbonense "O SÉCULO", reproduzimos também com a devida vénia, a seguinte apreciação da mesma obra:

"Com o seu agridoce perfume de cores exóticas, chega-nos do Oriente, ainda que impresso na capital do Império, um belo livro de contos chineeee: “Cheong-Sam” (A Cabaia). É sua autora uma senhora macaense, D. Deolinda da Conceição, que, em permanente contacto com o povo e a vida de Macau, deles arrancou retalhos de almas, de dramas, da grande cena aberta do Mundo, na qual o homem é a um tempo autor, actor e espectador.

Senhora dum estilo simples, mas vigorosamente elegante e adequado ao tema que versa, a autora destes contos desvenda um mundo para muitos ignorado, com uma agudeza de observação, a que se alia, para dulcificar, arredondar, limar arestas, profundo sentido de humanidade e solidariedade.

O povo surge em figuras vivas, em casos passados, em histórias contas com sinceridade e amor. E, assim, uma parcela da nossa terra, que um véu de mistério envolve, é mostrada por quem pode fazê-lo com talento e com verdade”.

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