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A FASQUIA
Um dos preceitos naturais mais evidentes é a harmonia, porque só
através da sincronia de movimentos o homem se desloca ou corre,
como só por via da consonância a quatro vozes, dos acordes do
piano, compostos por notas puras, sustenidas ou bemóis, ou da
multitude de instrumentos tocados em conjunto numa orquestra,
filarmónica ou sinfónica, é que o ser humano é capaz de se
expressar mais completamente, porque em conjunto.
Conjugar dissonâncias de sopranos, contraltos, barítonos e baixos
é trabalho de harmonia, o que significa compreender as mais
elementares leis da natureza, a qual obedece á superior ordem do
Universo, isto é, às leis que se ordenaram como consequência do
Big Bang.
Por isso aceite-se como natural que o ciclone seja uma espiral em
movimento, com o seu olho de calmaria no centro. O mesmo sucede
com o movimento da água saíndo em espiral por um ralo, a tromba de
água, o movimento das nuvens, o próprio movimento do planeta que
habitamos. Tudo pertence a uma sincronia harmónica que nos
transcende, e à qual - queiramos ou não - pertencemos. E isso
significa que toda a luminosidade contém sombra e que toda a
sombra está impregnada de luz. O Yin e o Yang, isto é a teoria dos
opostos, sem os quais não teríamos electricidade, magnetismo,
noite e dia, frio e calor.
Assim, obedeçamos às leis universais (que são comuns ao universo)
as quais são a linguagem da natureza. Se elas determinam o
nascimento, crescimento, envelhecimento e morte a que ninguém
escapa, então aceitemos que são bem mais credíveis que os valores
e métodos que despoletaram a crise financeira que atingiu a
América e o mundo.
Tivesse o mundo financeiro menos ganancia, tivesse escutado
Amartya
Kumar Sen, e hoje seríamos todos mais felizes.
Acontece assim que não me surpreende que Barak Obama tenha ganho o
Prémio Nobel da Paz. No caso dele o significado é enorme. É a
linguagem humanista, é o desejo do desarmamento, é a existência de
um doutrina que estava bem longe de existir com o seu antecessor.
Olhamos hoje para a China e regredindo ao século XIX, vemos como
as potências europeias invadiram esse gigantesco país e o
colocaram a ferro e fogo, impedindo os seus naturais de circularem
nas legações onde era a proibida a entrada a cães e a chineses.
Hoje, hoje é bem conveniente que o Ocidente esqueça e faça com que
esqueçam isso, porque com o advento da Republica e o fim das
tranças impostas pela dinastia Manchu, hoje a China é a mais
poderosa economia emergente, e já a terceira do mundo.
De todas estas observações e do modo como resultaram, concluo que
é de fundamental importância que todos os intervenientes na
Assembleia Geral saibam compreender não apenas as leis da
natureza, mas que não vão contra o que é natural naquilo que é
mais essencial ao Clube; a sua identidade completa.
O que está verdadeiramente em causa é, parece-me, saber se se
aliena a propriedade do clube à maneira dos americanos e
britânicos, ou se o Clube pertence aos sócios e estes não o
desejam alienado, porque é seu. Não se trata de um problema
meramente financeiro, de SAD ou do mais que se verá. Trata-se tão
só, a meu ver, de uma questão de Princípios. Ou os sócios querem o
Sporting Clube de Portugal ou alienam-no à SAD.
E isso, após as afinações de voz que foram ensaiadas nos últimos
dias, espécie de catarse colectiva, é chegada a altura de, serena
e lucidamente, cada sócio presente estar ciente que terá nas suas
mãos um pedaço do futuro do clube, e o modo como decidir não é
face a A ou a B mas face à sua consciência.
Por isso a Fasquia é muito alta. Porque nos confrontamos sobretudo
connosco próprios. |