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SHUI MU
quer simplesmente dizer, em chinês, água e
tinta.
Mas para quem conheça o papel chinês, dito de arroz, suporte
sobre o qual tudo se desenrola, saberá que não há um, mas vários
papéis.
Uns, polvilhados com alumen, outros não, permitindo que o
domínio da água e da tinta defina territórios, e ainda outros,
cada um permitindo que a tinta se exprima pelo
menos nos cinco tons do negro.
De outro modo, direi que é o acaso controlado, a concepção
que antevê o que se vai desenrolar entre a conversa entre tinta,a água, sobre o frágil palco do papel, poisado sobre um feltro absorvente.
Só se é bom pintor quando se sabe definir e prevêr os limites da capilaridade do papel.
Cada pincelada é definitiva, irretornável, irretocável. E eis que as sobreposições originam topografias
insólitas, abstracções muito antes do conceito.
Há nisto tudo a lição
do equilíbrio. A tinta e a água apenas existirão na sua plenitude,
se a dávida do papel fôr respeitada nesse palco onde a mancha se joga.
Aí, ausência ou
excesso são fatais.
É que, por muito que não se queira, se não se
sabe de pintura, o resultado espalha-se na reacção do papel.
Que maravilha, toda esta simplicidade, onde a forma tem a suprema
liberdade que o papel lhe dá, para tomar a forma final, uma vez
inseminado o papel pelo saber do pintor.
Mas a grande
lição está, não apenas no indispensável apuro técnico, mas
sobretudo em ter o resultado assegurado mentalmente. Só então, se
pega no pincel.
E depois vou ouvindo falar, a Ocidente, de arte conceptual. |