SHUI-MU

 
 

 

 

 

SHUI MU quer simplesmente dizer, em chinês, água e tinta.

Mas para quem conheça o papel chinês, dito de arroz, suporte sobre o qual tudo se desenrola, saberá que não há um, mas vários papéis.
Uns, polvilhados com alumen, outros não, permitindo que o domínio da água e da tinta defina territórios, e ainda outros, cada um permitindo que a tinta se exprima pelo menos nos cinco tons do negro.

De outro modo, direi que é o acaso controlado, a concepção que antevê o que se vai desenrolar entre a conversa entre tinta,a água, sobre o frágil palco do papel, poisado sobre um feltro absorvente.

Só se é bom pintor quando se sabe definir e prevêr os limites da capilaridade do papel. Cada pincelada é definitiva, irretornável, irretocável. E eis que as sobreposições originam topografias insólitas, abstracções muito antes do conceito.

Há nisto tudo a lição do equilíbrio. A tinta e a água apenas existirão na sua plenitude, se a dávida do papel fôr respeitada nesse palco onde a mancha se joga. Aí, ausência ou excesso são fatais.

É que, por muito que não se queira, se não se sabe de pintura, o resultado espalha-se na reacção do papel.
Que maravilha, toda esta simplicidade, onde a forma tem a suprema liberdade que o papel lhe dá, para tomar a forma final, uma vez inseminado o papel pelo saber do pintor.

Mas a grande lição está, não apenas no indispensável apuro técnico, mas sobretudo em ter o resultado assegurado mentalmente. Só então, se pega no pincel.

E depois vou ouvindo falar, a Ocidente, de arte conceptual.

 

 

 

Copyright © António Conceição Júnior l 2008