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Sendo o pesado a raíz do leve,
também a obscuridade pressupõe a luz. Uma anuncia a outra; existem
uma pela outra.
Na noite permaneço desperto, desagindo, imóvel, impensando.
A sensorialidade não é física. Nem metafísica. As palavras
classificam, apenas para dizer.
Como nomear o invisível, transparência velada da obscuridade?
Na imobilidade deixo de me observar, e tudo age naturalmente.
Intervir é interromper o curso natural, é mexer na imaterialidade
do tempo.
Aprender é desaprender, desprender, descamar.
Na obscuridade a luz é iminente. Apenas aguardo que ela se revele.
Entretanto, o tique-taque desfia as horas e eu aguardo a
emergência da metáfora.
Há um momento, então, que julgo compreender. Apenas julgo.
E por aí me fico, à espera que maior obscuridade se acumule para,
por fim dar lugar à claridade.
Por fim... se for este o desfecho. |