OBSCURIDADE

 
 

 

 

Obscurecer essa obscuridade. Eis a porta de toda a maravilha.
Tao te Qing

 

Sendo o pesado a raíz do leve, também a obscuridade pressupõe a luz. Uma anuncia a outra; existem uma pela outra.

Na noite permaneço desperto, desagindo, imóvel, impensando.
A sensorialidade não é física. Nem metafísica. As palavras classificam, apenas para dizer.
Como nomear o invisível, transparência velada da obscuridade?

Na imobilidade deixo de me observar, e tudo age naturalmente.
Intervir é interromper o curso natural, é mexer na imaterialidade do tempo.

Aprender é desaprender, desprender, descamar.

Na obscuridade a luz é iminente. Apenas aguardo que ela se revele.
Entretanto, o tique-taque desfia as horas e eu aguardo a emergência da metáfora.

Há um momento, então, que julgo compreender. Apenas julgo.
E por aí me fico, à espera que maior obscuridade se acumule para, por fim dar lugar à claridade.

Por fim... se for este o desfecho.

 

 

Copyright © António Conceição Júnior l 2008