GIRI

 
 

 

 

Em Japonês diz-se giri (ler guiri) e em chinês mien (face).

Tem tudo isto a ver com a honra da palavra, coisa que se foi perdendo lá para as bandas onde o Sol se põe, mas nem só aí. O capital não tem pátria, nem sequer ideologia.
Nem giri, mien nem estratégia humanizante.

Tudo está mercantilizado, o tempo comprimido, e os valores se vão universalmente dissolvendo ou o cepticismo instalando-se no rectângulo onde o umbigo impera.

O cepticismo, sobretudo essa descrença no homem e no mundo que construiu.
De um lado, a ciência, do outro a sabedoria e, de permeio, onde as águas confluem, a força da ganância do lucro e da vã glória.

A Via diz: constrói-te, e o céptico ri, se não se risse, a Via não seria a Via.

A cada um cumpre o seu caminho, e a descoberta de que o corpo é mero veículo onde reside, temporariamente, um espírito.

O céptico não crê, porque se descrê. Porque não vê a maravilha da obscuridade onde, sereno, e a um tempo tempestuoso, o Universo é. E sendo, nada quer, nada busca. Apenas circula por toda a parte, energias fluíndo sempre.

Giri é o paradigma nipónico da honra e da palavra. Por elas, muitos retalharam o ventre, ali onde reside o hara, centro da força, chakra da vida.

Para o céptico, a palavra é um produto de prateleira, uma desconfiança, porque não entende que a renúncia ao desejo de ter ou ser é o único meio de buscar abarcar o todo.

Por isso Shingen constitui o princípio da visão esclarecida...

 

 
 

 

Copyright © António Conceição Júnior l 2006