|
Eu, que meramente observo e que vou sabendo que
acontece, do canto do meu pequeno mundo, porque assim o quero
pequeno no tamanho, e suave, ou revolto como o oceano porque, embora busque a
inamobilidade da montanha, gosto de me comover ou então detesto
indignar-me, ainda que para tal não encontre outro remédio, embora
acredite que as minhas indignações se norteiem por motivos nobres.
Evidente é que, sendo convictamente republicano, me refiro à
nobreza enquanto pilar onde os valores mais fundamentais do ser
humano se aglutinam, porque felizmente a República veio trazer aos
portugueses uma esperança de igualdade, independentemente do
nascimento, que todos nascemos da mesma maneira, mais escorreitos
aqueles que se não casam entre primos e tios, em completa
promiscuidade genética ditada por interêsses de classe ou casta.
O que resta ao homem que se quer de bem, é ser interiormente, é
viver para deixar um legado impoluto quando fôr a sua vez de
partir, é correr incessantemente atrás dos imutáveis valores da
igualdade entre os homens, da solidariedade e respeito para os
mais fracos, e da fraternidade em vez da caridadezinha, porque é
na dádiva fraterna que o homem se engrandece na sua dimensão
humana.
Há quem não pense assim, mas Macau tem destas coisas. Consegue
deslumbrar os pobres de espírito, eternamente destituídos do mais
elementar dos discernimentos.
Só o ser inferior tem a ilusória veleidade de se considerar
superior aos outros. Porque não sendo, não tem presente a maior
das inevitabilidades; a morte, que a todos toca democraticamente.
A morte é, assim, como que o mais antigo princípio democrático da
humanidade.
Vieste sem nada, partirás sem nada. O resto é um mundo de
ilusões. |