DO SER E DO EXISTIR

 
 

 

 

Eu, que meramente observo e que vou sabendo que acontece, do canto do meu pequeno mundo, porque assim o quero pequeno no tamanho, e suave, ou revolto como o oceano porque, embora busque a inamobilidade da montanha, gosto de me comover ou então detesto indignar-me, ainda que para tal não encontre outro remédio, embora acredite que as minhas indignações se norteiem por motivos nobres.

Evidente é que, sendo convictamente republicano, me refiro à nobreza enquanto pilar onde os valores mais fundamentais do ser humano se aglutinam, porque felizmente a República veio trazer aos portugueses uma esperança de igualdade, independentemente do nascimento, que todos nascemos da mesma maneira, mais escorreitos aqueles que se não casam entre primos e tios, em completa promiscuidade genética ditada por interêsses de classe ou casta.

O que resta ao homem que se quer de bem, é ser interiormente, é viver para deixar um legado impoluto quando fôr a sua vez de partir, é correr incessantemente atrás dos imutáveis valores da igualdade entre os homens, da solidariedade e respeito para os mais fracos, e da fraternidade em vez da caridadezinha, porque é na dádiva fraterna que o homem se engrandece na sua dimensão humana.

Há quem não pense assim, mas Macau tem destas coisas. Consegue deslumbrar os pobres de espírito, eternamente destituídos do mais elementar dos discernimentos.

Só o ser inferior tem a ilusória veleidade de se considerar superior aos outros. Porque não sendo, não tem presente a maior das inevitabilidades; a morte, que a todos toca democraticamente.
A morte é, assim, como que o mais antigo princípio democrático da humanidade.

Vieste sem nada, partirás sem nada. O resto é um mundo de ilusões.

 

 

Copyright © António Conceição Júnior l 2004