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se nos tempos idos o
bushi ou
guerreiro, ou o
samurai,
seu sucedâneo, tiveram a percepção de que a sua eficiência como
guerreiros não dependia do mero uso de armas, mas do cultivo de
inúmeros aspectos entre os quais o da percepção mais profunda
das coisas ou ainda a resolução da dimensão da sua existência
física ao considerarem-se já mortos, libertando-se assim da vida
para livremente poderem combater, muitos dos seus métodos de
percepção da realidade foram reinterpretados e adequados
aos dias de hoje, onde o guerreiro só pode ser o combatente pela
luz
de si mesmo. |
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para muito poucos no
ocidente, e mesmo no oriente se
torna possível entender o conceito de
shingen.
a palavra é composta de dois caracteres chineses que em
japonês se designam por kanji.
shin,
aqui representado pelo carácter da esquerda que significa também
kôkoro,
(coração) conota-se aqui com o conceito de
espírito,
enquanto o segundo carácter,
gen,
significa
olho, olhar.
assim, desse
coração
associado ao
olho, temos
uma primeira transcrição que é
visão compassiva.
porém é preciso estarmos cientes de que essa visão anuncia a
clarividência
que só pode ser atingida com a visão despida de paixões.
a paixão é a emoção descontrolada.
a visão
compassiva ou
clarividente
já ultrapassou esse descontrolo. vê-se com a mente e o espírito,
porquanto se já sabe que a visão ocular é do mero domínio da
óptica. |
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os nipónicos categorizavam o olhar e a visão de forma diferente.
vejamos como: |
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nikugen
• a visão nua |
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esta
não é mais do que a imagem simples
recebida pela retina, destituída de qualquer processo mental ou
emocional. é, assim, o mais baixo dos cinco níveis de visão e
possui três limitações.
primeiro,
nikugen
é completamente superficial. a pessoa que possui apenas
nikugen não
vê mais além do que a existência dos objectos no seu campo de
visão. a visão nua
não comporta nenhuma compreensão mais aprofundada desses
objectos tal como vieram parar aonde estão, como podem interagir,
ou como podem afectar o observador ou outros.
seguidamente, nikugen
está limitada ao ponto de vista do observador. só "vê" o lado
dos objectos que estão virados na sua direcção, e é uma visão
quase apenas bi-dimensional.
finalmente, a visão nua
é facilmente obstruída. a simples colocação de um objecto diante
dos olhos do observador termina-lhe o olhar.
estas características aplicam-se não apenas à visão física.
alguém que queira ver um problema usando
nikugen
apenas vê os seus aspectos mais superficiais.
por exemplo, sem dinheiro, constata que se encontra sem
nada. se quer um pão, verá uma impossibilidade total na
compra de alimento.
esta visão bi-dimensional cega o seu portador perante outras
possibilidades, como trocar trabalho por comida ou vender algo
que possui para obter dinheiro para comer. |
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tengen •
a perspectiva neutra |
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o
estádio seguinte do desenvolvimento da visão é
tengen,
literalmente
visão celeste,
não nosentido angelical ou transcendente do termo, mas antes do
ponto de vista do observador.
com tengen, o observador já não está preso pelo seu próprio
ponto de vista, antes tem uma perspectiva neutra por via da qual
vê os objectos ou o problema como se olhando para eles de uma
grande altura. literalmente, a visão
tengen
permite "ver a floresta pelas árvores".
assim, com uma menos auto-centrada perspectiva, a visão do
observador não é tão susceptível às distorções das suas ideias
pré-concebidas, reacções emocionais, ou condições de vida.
recorrendo a exemplos prévios, alguém com esta
perspectiva
neutra já é capaz de perceber as faces escondidas dos objectos.
aplicando conhecimento e experiência, a sua mente já permite uma
visão mais alargada. isto é, alguém usando de uma perspectiva
neutra, em vez de estreitamente perceber a falta de dinheiro
para um pão, verá a situação como uma necessidade de comida,
observação que já oferece outras opções para uma solução.
porém, ainda que com esta perspectiva de cima, as emoções do
observador, preconceitos e circunstâncias da vida
interferem com a verdadeira compreensão da sua visão que ainda
está limitada àquilo que os olhos vêem. |
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egen •
o olhar interpretativo |
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literalmente significante
olhar pensante,
está a um nível mais elevado, no qual a imagem recebida pelo
cérebro é melhorada por uma compreensão das implicações das
coisas ou situações observadas.
importa contudo não confundir
egen
com pensamento analítico. o olhar interpretativo não é sobre
pensar no que vê. é antes um processo automático e subconsciente
no qual o olhar e a mente operam conjuntamente uma interpretação
das imagens recebidas pelo cérebro, produzindo assim uma visão
mais profunda do que o mero olhar físico.
um exemplo talvez experimentado por muitos: alguém observando
dois carros aproximando-se de um cruzamento ao mesmo tempo, por
duas ruas que se não vêem uma à outra, vislumbra um acidente
prestes a acontecer. a maior parte das pessoas não precisará de
parar para perceber isto. pela experiência, sabendo que nenhum
dos condutores vê o outro, sabemos automática e
subconscientemente que irão chocar.
se olhassemos com
nikugen
ou tengen
veríamos apenas dois carros movendo-se, independentemente um do
outro, sem estabelecer uma relação causal.
infelizmente, enquanto a maioria dos adultos possui o
olhar interpretativo
no que respeita aos aspectos físicos, falta-nos
egen
a outro nível.
com verdadeiro
egen
reconheceríamos quando um choque de personalidades ou vontades
estaria da iminência de ocorrer. veríamos um acontecimento não
apenas na sua forma física, mas no contexto das forças em
movimento e os efeitos que mais tarde resultariam como
consequência imediata ou remota.
assim, o maior benefício do
egen
é que agora o
observador percebe natural e subconscientemente a relação de
causa-efeito das coisas que observa ou testemunha.
contudo egen
ainda tem insuficiências. |
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shingen-hōgen
• o olhar compassivo |
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apesar de todos os benefícios,
egen
ainda está incompleto. embora o observador receba a visuão
completa e desobstruída das situações, suas causas e efeitos -
mesmo as razões e motivos subjacentes às acções - esta visão é
distanciada e desapaixonada.
o nível de visão seguinte,
shingen,
confere o mais vital ingrediente de todos: a
compaixão, a
faísca que motiva o
guerreiro da luz
a tomar agir correctamente numa situação.ele vê um acontecimento
não apenas da sua perspectiva, ou como o afectará a ele, mas
como o evento afectará as vidas de todos os envolvidos. mais
ainda, ele vê com compreensão e compaixão por todos os
envolvidos, de modo que a sua acção não será a que mais
conveniente lhe seja, mas sim aquela que melhor será para a
sociedade no seu todo, independentemente da escala do conceito.
o guerreiro de luz não olha os sentimentos, acções, ou desejos
dos outros como
certos
ou
errados.
assim o seu juízo não será toldado pela necessidade de provar-se
que está certo. também não tem de ultrapassar a natural
hesitação de outra pessoa admitir que está
certa
ou
errada. o que
o interessa e motiva é o que é mais valioso.
assim, num desentendimento, o
guerreiro da luz
observa as visões dos outros como
alternativas,
usando shingen para analisar qual das alternativas pode ter
maior valia para a sociedade. com esta abordagem torna-se também
mais fácil persuadir os outros a aceitar a melhor escolha
também.
a avaliação do guerreiro da luz está em sintonia com as
imutáveis leis da natureza. ele entende os princípios de causa e
efeito, e que mesmo acções "erradas" são motivadas pelas forças
de causa e efeito.
por este motivo,
shingen
é muitas vezes referido como
hōgen,
cuja tradução literal é a de
visão legal,
mas não se refere às leis da humanidade. poder-se-á talvez
entender melhor utilizando o termo
perspectiva universal,
no sentido de que, tendo igual compaixão por todas as pessoas
operando sob uma ordem natural, imutável, mas sob a qual o
guerreiro da luz
pode escolher intervir. É desta neutralidade inserida na ordem
universal da natureza que o
guerreiro da luz
procura observar e agir da maneira mais benéfica.
os antigos
samurai eram
treinados para uma percepção mais aguda e global das situações.
ver com o
coração era o
estádio máximo de desenvolvimento da visão da mente-espírito.
hoje, o
guerreiro da luz
ou da paz
global
recupera essa visão para princípios mais nobres que a guerra.
assim, aquele que vê segundo
shingen-hōgen
percorreu um caminho
desde o primitivo
nikugen,
passando por
tengen e
egen. ganhou
maior visão
interior,
maior
compaixão,
tornou-se mais
natural por
se integrar nas leis do
universo.
vejamos um exemplo do quotidiano:
•
um execuivo com
nikugen está
atrazado para uma importante reunião de negócios, e quando se
põe a caminho vê-se obrigado a conduzir velozmente no meio do
trânsito congestionado, zizagueando the faixa em faixa, tentando
ganhar alguns precisos minutos.
•
um outro executivo
possuídor de
tengen
perceberá que corre riscos de ser multado, poderá reduzir um
pouco a velocidade, mas continua a querer ganhar tempo para
chegar atempadamente à reunião.
•
outro executivo possuidor de
egen
não deixará que o seu desejo de dar uma boa imagem de si na
reunião tolde a sua visão. ele percebe que conduzir
desvairadamente perigará a sua e a vida de outros, que têm o
mesmo direito à segurança que ele.
•
por fim, o executivo
possuídor de
shingen, com
a ajuda de
hōgen
já se encontra no local da reunião, aguardando a chegado dos
outros. ele previu que haveria hora de ponta, engarrafamentos,
pelo que acordou mais cedo, pôs-se a caminho de antes do
congestionamento do trânsito e assim chegaria antecipadamente,
ganhando um psicológico ascendente sobre os outros. |
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ô sensei |
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a arte da paz |
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shingen |
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takeda shingen |
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aikido |
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aikido 1 |
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ken
dori |
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katsujin-ken |
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glossário aikido |
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