O CORPO, MENTE E ESPÍRITO NUM  WORKSHOP
DE DESIGN

   
 

introdução

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o ensino é uma das mais nobres profissões da humanidade.

contudo, pessoalmente não creio no velho e tradicional conceito de ensino vertical onde a barreira entre os que julgam saber e os que procuram aprender jamais deveria existir.

através do curso da vida compreendi que ninguém ensina se não soubermos convidar ao prazer da aprendizagem.

afinal prefiro bem mais a palavra
aprendizagem ao instituído ensino, porque a função primeira é aprender, e se os alunos o fizerem terão iniciado outra etapa da jornada da vida e instituiu-se a força mais poderosa do universo, o afecto que anuncia o fluxo de comunicação fraterna na cadeia de afectos, uma relação que permitirá interacções a vários níveis.
para isso seria necessário resgatar do ensino, melhor dizendo, da aprendizagem, todas as formas de exercícios de
poder ou domínio, porque são em si perversidades que não encontram eco na harmonia enquanto imperativo ético.

como em toda a verdade circunstancial, o que se aprende assenta no já aprendido, acumulação de saberes que se sedimenta e se esquece para que, finalmente, se possa saber.

é imperativo que resistamos à ideia que somos os detentores da verdade.
estamos apenas de passagem e nesta viagem é-nos pedido que operemos o trabalho da descoberta do quanto avançamos ao nível das nossas verdades, tal como a terra que, lançada à terra, se acumula em direcção ao céu, ao universo, à luz.

aquele que vive da responsabilidade de partilhar as suas transitórias verdades e limitado saber deve aceitar que serve uma causa global: a de ajudar a libertar as mentes e os espíritos daqueles que se seguem, na inexorável cadeia da vida.

sou apenas um pai, e essa é talvez a minha mais importante tarefa. pai de dois filhos e pai de mim mesmo. por diversas vezes me é dada a oportunidade de trabalhar com gente jovem, e de novo encontro em mim a
esperança e a alegria.

quando tento comunicar, busco as mentes daqueles que têm o trabalho ou a tarefa de ouvir, de ouvir ou escutar.

tendo sido convidado a dirigir um workshop totalizando cinco sessões de quatro horas cada para os finalistas do curso de design do
instituto politécnico de macau, decidi levar os alunos a viverem diferentes experiências, desvinculadas do formalismo em que os vi.
foi uma viagem pelo mundo dos símbolos e signos que compõem a outra escrita que ao criativo interessa, à análise de um filme,
the piano player, com convite implícito à desconstrução e debate de ideias sobre as diversas complexidades de que se compõe o espírito humano na sua utilização de ideias, imagens e narrativas.

no mesmo contexto entramos holísticamente no corpo - interdição socialmente instituída - viajando ao nível da sensorialidade dos tambores shamanísticos, dos ritmos da percussão mais primitiva, até à audição da V sinfonia de beethoven e a relação intrínseca dos ritmos com a própria palpitação da vida.

finalmente, numa outra união entre mente, espírito e corpo, o aikido como metáfora criativa baseada no vazio como fonte operativa.
ao aluno importa saber perceber a cadeia de relações através das quais tudo se relaciona. essa descoberta poderá abrir ao jovem um janela para olhar e ver de tantas outras formas que não a da pura macaqueação do que está transitoriamente em voga.

sábado, 26 de outubro de 2002. um registo apenas.

 

 

 

 
ô sensei
a arte da paz
shingen
takeda shingen
aikido
ken dori
katsujin-ken
25 anos design