O SENTIDO DA VIA ESPIRITUAL

   
 

aikido como fonte de conhecimento

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a minha percepção do aikido data de 1968, pela mão de nakamura eisei "sensei" (mestre). com o passar do tempo foi-me perceptível que a técnica, a parte física, era apenas mera via para outros níveis de percepção entre o vazio e o seu modus operandi. o vazio conceptualizado a oriente tem uma ligação construtiva porque apenas o vazio pode conter. e esse continente que existe em nós só pode construír-se se nos soubermos esvaziar.
é assim que o
aikido se apresenta não como uma arte marcial, mas como uma prática conducente a outros estádios de percepção dos quais o mu-shin e zanshin são alguns deles, e onde a prática da percepção intuitiva de um ataque físico pode, se o caminho fôr trilhado, transmutar o aikidoka num portador de fontes de conhecimento a outro nível mental que convidem à integração dos diferentes níveis de consciência também na leitura do processo criativo, isto é, uma outra forma de descodificar as mensagens e os impulsos que recebemos.
para muitos o
aikido é uma vida, para outros uma forma de busca. o aikido não se ensina nem se aprende. chega-se ao aikido para dele nos apropriarmos e reconstruírmos segundo a nossa forma de o interpretar de acordo com a nossa viagem interior.
fisicamente o
aikido é criatividade e design, operando sem formulas pré-determinadas.
foi recorrendo às formas básicas do aikido como
te waza técnicas da mão-antebraço, taijutsu movimento do corpo, maai distância ou espaço, e outros conceitos para ilustrar pela metáfora outra forma de pensar a criatividade.

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1.
esta a razão porque em aikido oferecemos o nosso pulso para ser agarrado em treino por uke (o que recebe a técnica). se o nosso parceiro fosse agarrado como na foto, sofreria produndos traumatismos na articulação do pulso.
2.
irimi é a aplicação do conceito de vazio em alternativa ao confronto. irimi significa entrada directa.

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3.
ao movermo-nos para o lado, saíndo da linha de ataque, tomamos conhecimento, como na música, dos tempos, e desenvolvemos a percepção do outro no seu todo.
um ataque é a quebra da
harmonia. saíndo d
essa quebra dominamos, apenas porque o outro assim o quis. quem quebra a harmonia semeia ventos. por isso buscamos sempre entender a essência da harmonia.
4.
a saída de uma linha de ataque pode ser para fora como para dentro. neste caso, movendo-nos para dentro, agarremos o pulso do atacante e façamos a extensão do nosso outro braço
pela clavícula.

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5.
a quebra da
harmonia pelo movimento de agressão vulnerabiliza o atacante pelo próprio movimento.
pensemos se a inércia é de facto um estado inerte ou apenas inacção, latência, harmonia no sentido do entendimento da ordem do universo.
6.
porque o
aikido não se prende a uma forma, antes se adapta, deixemos o soco passar pela nossa mão estendida, enquanto a mão direita prevê o eventual soco da esquerda.

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7.
enquanto o corpo do atacante passa por nós como uma locomotiva, empurremos-lhe o ombro, a mão direita sempre guardando de um eventual ataque.
8.
o mesmo se aplica na continuação de irimi começada em 2. deixemos que o movimento de ataque faça o seu próprio trabalho. temos apenas que redireccionar esse trabalho para um fim mais justo.

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9.
para isso agarremos-lhe então no pescoço e puxemo-lo para nós, enquanto a nossa outra mão guia a mão de ataque para baixo, e iniciamos um movimento de espiral tal como acontece com um tufão ou ciclone.
10.
enviemos o atacante para onde ele (no fundo) queria ir. na espiral, como no ciclone, tornamo-nos o centro do movimento, aquele lugar onde a paz reside.

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11.
como nada é único, há sempre outra versão. e eis senão quando essa espiral já inteiramente comandada por nós encontra, abruptamente o obstáculo do nosso braço.
12.
sejamos cuidadosos com o nosso parceiro de treino. devemos sempre ter a certeza de que, depois de uma imobilização ele está bem.

13 e 14

13. e 14.
esta prisão envolvendo os dois braços e um joelho encostado à nossa coluna parece impossível de ser transposta. afinal apercebemo-nos que o atacante apenas exerce um falso controle. ele está assente sobre um só pé. neste caso optei por apenas rodar a cintura e bacia para libertar o joelho da coluna e rodando os pulsos trouxe os seus braços para a minha frente. dou-lhe a precedência e, ao fazê-lo, controlo-o
, evitando assim que faça mal.

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15.
depois há formas infinitas de projectar o nosso parceiro.
16.
esta situação aparentemente estática mostra uma faca apontada às nossas costas. rodemos para o lado e a faca encontrará o vazio. a técnica é realizada com enorme rapidez.

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17.
completando a rotação num único movimento acabamos for estar em controlo da faca e do braço. esta é apenas uma das muitas técnicas.
18.
o
aikido oferece-nos inúmeras soluções para resolver situações. metáfora de que cabe-nos a nós criar e não imitar. pensemos sobre isto.
..

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19.
podemos igualmente absorver a ameaça do punhal rodando para dentro e tomando posse do espaço vital, ocupando-o. vazio e ocupado, as duas faces de um mesmo princípio.
20.
o que há de esplendoroso no
aikido é de que não há pessoas altas ou baixas. o tempo-espaço estão na nossa mente. quando percebemos isso, podemos então transpôr para esses níveis os nossos tempos criativos que se tornam quase reflexos à medida que vamos amadurecendo o caminho com a humildade do principiante que, em aikido, somos todos.

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21.
o
aikido harmoniza-se com o universo. é como uma esfera, corpo celestial. é uma espiral como uma galáxia, age no vazio como um meteoro. pulsa por si, e se algo "colide" com os seus princípios que se enraízam na própria linguagem do universo, há uma consequência.
no mundo em que vivemos há a preocupação em
ter em vez da busca em ser. é contudo no ser que reside a mais incrível viagem que envolve a criação: a recriação de nós próprios.

notas:
zanshin
ainda que intraduzível, poder-se-á explicar como o estado remanescente da mente ou do espírito, ou ainda como a mente contínua. é um estado de percepção extra-ordinário que permite sentir os impulsos dos corpos e estados mentais e espirituais
mu-shin ou a não-mente é o estádio de perceptibilidade atingido pela erradicação dos pensamentos, dando lugar à total calma do vazio e à consequente percepção de outros níveis de consciência.
o corpo é apenas um instrumento para a construção e o aperfeiçoamento do espírito e da mente.
uke é aquele que recebe a técnica. é aquele que ataca e é projectado.
desde que nascemos que, depois de aprendermos a andar, esqueçomo-nos de saber como caír. só se pode perceber uma técnica vivendo-a. ser
uke é viver a manifestação do aikido que, desconhecendo competições, desconhece a ilusão da vitória ou da derrota.
nage é o que executa a técnica, o que é "atacado". ao realizar uma técnica, procura aperfeiçoar-se e, ao mesmo tempo, cuidar do seu parceiro.

 
ô sensei
a arte da paz
shingen
takeda shingen
aikido
aikido 1
ken dori
katsujin-ken
25 anos design