PARA MEMÓRIA FUTURA
 

Enquanto modesto dirigente cultural, regressado a Macau em 1977, senti que existia um enorme desconhecimento em Portugal da realidade, culturas e autores de Macau. Era preciso dar a conhecer para se ser compreendido.
Foi-me proporcionado em 1978 deslocar-me à Fundação Calouste Gulbenkian onde conheci, e desde então fiquei Amigo de um dos maiores poetas portugueses: Pedro Tamen, Administrador do pelouro de Belas-Artes, que teve a extraordinária clarividência de entender que era necessário levantar os véus do olvido e desconhecimento que sobre Macau existiam.
Por sua intervenção e com a sua presença, fui recebido pelo Dr. Azeredo Perdigão que me ouviu atentamente e se disponibilizou a vir a Macau, fruto de um ousado convite que lhe formulei, sem ter para isso autorização. Mas não era eu que estava em causa, era uma missão que me transcendia.

No dia 14 de Fevereiro de 1979, o Dr. Perdigão e Esposa, e o Dr. Pedro Tamen e Esposa desembarcavam em Macau, exactamente no dia em que Portugal e a China reatavam relações diplomáticas.

A data escolhida pelo Dr. Azeredo Perdigão estava carregada de significado político.
A visita em si, tinha por objectivo verificar se as colecções do então Museu Luís de Camões tinham qualidade para integrar o projecto de uma Quinzena de Macau com várias exposições, eventos, e reedições de obras há muito esgotadas.
No mesmo dia da visita ao Museu, e após esta, o Dr. Azeredo Perdigão mandava enviar um telex ao Director de Exposições e Museografia, Arq. Sommer Ribeiro, outra pessoa extraordinária que se tornaria também num grande Amigo, pedindo que se reservassem todas as galerias de exposições temporárias da sede Fundação Calouste Gulbenkian para Outubro.
O Governo de Macau presidido pelo Coronel Garcia Leandro e a Câmara de Macau, o Leal Senado, ao qual o Museu Luís de Camões pertencia, apoiaram incondicionalmente o projecto, criando-se uma Comissão Organizadora e uma Comissão Executiva, onde participaram entre outros, a Dra. Graciette Batalha e a Dra. Beatriz Basto da Silva, numa corrida de trabalho para a data marcada.

A revista ARTIS editada pelo Leal Senado - Museu Luís de Camões publicava um anúncio da Quinzena de Macau.

Catálogo da Exposição Macau - 400 Anos de Oriente

No dia 13 de Outubro de 1979 o Presidente da República General Ramalho Eanes inaugurava a exposição Macau - 400 Anos de Oriente, ocupando todos os pisos das galerias de exposições temporárias.

Uma multidão ansiosa por conhecer a diferença, encheu por completo todos os espaços públicos aguardando a inauguração formal.

Explicando ao Presidente da República a melhor colecção do mundo de cerâmica de Shi Wan, que pertencera a Manuel da Silva Mendes.

Secção de Cerâmica de Shi Wan.

Secção de trajes chineses da dinastia Qing (1641-1911)

Outro aspecto da mesma secção de sabor etnográfico.

Durante vários dias as danças do leão e do dragão foram realizadas na Fundação Calouste Gulbenkian.

Uma exposição fotográfica de cerca de 50 obras era inaugurada no Palácio Foz, da autoria de Vitor Marreiros e António Conceição Júnior, Macau Face a Face. Na altura já era Governador de Macau o General Melo Egídio.


 

EDIÇÕES

Por uma questão de sentido histórico e decorrente do aproveitamento de sinergias, reeditaram-se obras de acordo com as possibilidades materiais da altura.
Assim, reeditou-se o Ou Mun Kei Leok (monografia de Macau)

A obra Macau Factos e Lendas de Luís Gonzaga Gomes.

Impressões e Recordações de Manuel da Silva Mendes e, bem assim, A Cabaia de Deolinda da Conceição.

RESUMO  

Como consequência da Quinzena de Macau, o terceiro e último número da revista Artis apresentava um balanço da Quinzena de Macau e na capa as funcionárias devidamente uniformizadas anunciavam o Museu renovado.

Em quatro páginas dessa edição se dava conta do que havia acontecido e fazia-se a transcrição exacta do que a Imprensa Portuguesa tinha escrito.

 

 

 

   
   
   
   
     
     
 
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   © António Conceição Júnior 1998