Num mundo onde a informação e erudição são conceitos outonais em transformação, e onde, à topia geográfica se contrapõe a utopia do virtual, novas cidadanias se vão construíndo e disseminando.
Cada vez mais nos confrontamos entre a cidadania quotidiana e uma outra que não conhece fronteiras, há muito intuída e proclamada por Marshall McLuhan, em que a ética e os padrões comportamentais requerem muito mais uma linguagem de revelação que uma outra de ocultação feita de obsoletos pruridos dos que ainda se agarram às formas tradicionais de ser, incapazes de entender o que o devir anuncia, porque qualquer inovação sempre provocou receios, até mesmo sobre as formas tradicionais de relacionamento.
É nessa aldeia global que, em princípios de 1998, me decidi a aventurar, procurando simultaneamente entender este modo de globalização da informação, da comunicação e do conhecimento. Dessa aventura pude inferir que nada será mais como dantes, e não estarei sózinho ao visionar novos conceitos de trabalho, de economia, de socialização que, por algum tempo ainda serão duplos, até que a revolução tecnológica se torne num imperativo existencial e comportamental para as novas gerações que não detêm do passado senão uma memória de convivialidade.
Reconheço que é simultaneamente assustador e avassalador, convidando à reflexão sobre novas ordens a haver.

Direi que, como resultante natural de alguns anos de persistência, de aprendizagem técnica e de reconhecimento do terreno, dou comigo a constatar que a maioria dos meus clientes já não são locais, mas antes pessoas ou empresas de outras nações, países e continentes que comigo convivem no futuro deste presente, espécie de duplicidade de existências e de tarefas, pequena babel de línguas e de conceitos, dinâmica extremamente aliciante.

Hoje é-me particularmente grato não estar confinado a uma geografia, antes aberto a um diálogo onde o equilíbrio entre o físico e o virtual se cumprem no quotidiano e onde cada projecto online constitui um exercício de descodificação cultural e de comunicação que me deixam extremamente gratificado.

A digitalização, os avanços da informática vieram trazer novas formas de trabalho, onde a internet não é senão um instrumento de comunicação por excelência.
Mesmo localmente já foi inteiramente aceite por empresas clientes que o desenvolvimento de projectos se faça inteiramente por via virtual.
O registo é algo de fundamental, e os portfolios dos criativos, artistas, obras de escritores podem, finalmente, encontrar novos veículos e alojamentos.

Longas palavras talvez, para fundamentar um website onde procurei registar os riscos e passos de 25 anos de trabalho criativo e cultural, como parte de uma cidadania onde as identidades e os conteúdos são parte integrante da lenda que sobre nós próprios involuntariamente construímos, não como ostentação, mas antes - e tão somente - como informação e registo.
Para o cliente, para mim mesmo, o portfolio tornou-se virtual.

 
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   © António Conceição Júnior 1998