António Conceição Júnior, autor da ideia, cenografia e trajes para este bailado, deu em Lisboa um seminário para todos os artistas que comigo o criaram.
Foi uma lição de artes marciais e da sua história que, subtilmente, nos inspirou.

O Som do Leque é, assim, a aproximação a esse universo visível nas suas configurações e transfigurações.
;E também do dominio do sonho, dos contactos inesperados, das imagens inventadas, dos passos e dos gestos que só o coração sabe ler.

Tal como um rio, que no seu percurso se vai moldando à natureza, cada um dos fragmentos deste bailado foi descobrindo um campo de sinais mágicos e litúrgicos do Oriente e do Ocidente que a música, trabalhada pelo Nuno Vieira de Almeida, nos foi revelando.

O Som do Leque acabou por ser um bailado abstraco e indizível, inspirado no cruzamento dos gestos antiquíssimos das artes marciais, tão magistralmente descritas por António Conceição Júnior, e da minha própria linguagem coreográfica e imagética.

Vasco Wellenkamp
Coreógrafo