Tive o prazer de trabalhar com António Conceição Júnior e de ter tido acesso às suas obras. A proximidade permitiu-me acompanhar a erupção de ideias, criação de conceitos, sempre formalizados através de expressões múltiplas e dotados de um brilho sui generis. Mais tarde, assistir ao aparecimento do objecto, do quadro, da máscara, do traje, do cartaz, da fotografia, do livro... e sempre surpreendido pela diferença que não trai.

António Conceição Júnior é um homem do Renascimento que agora eclode a Oriente. Alguém que domina e circula com à-vontade diversas formas de expressão. E, do mesmo modo que disciplina uma multiplicidade de meios, realiza na sua obra - que presumo queira exactamente assim; fértil e fragmentária - um trajecto nómada que o leva do Oriente ao Ocidente, numa espécie de demanda e peregrinação de sentimentos e, inevitavelmente, o faz regressar a Macau.

O seu trabalho exprime essa sede que não pode, originalmente, senão saciar-se em duas ou múltiplas fontes. O que passa também por uma interpretação muito própria do destino deste lugar no mundo, como centro de informação e criatividade no século XXI. E, se quisermos, do papel dos portugueses.

A qualidade que é impossível deixar de reconhecer ao seu trabalho, a que não é alheio um extremo rigor estético, que é nessas obras uma espécie de marca ou sinete, faz de António Conceição Júnior uma referência incontornável no panorama actual da criatividade portuguesa.

Carlos Morais José
Antropólogo, Escritor, Jornalista