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Citações
Quando já se encontrava em fase adiantada de elaboração o texto “…apenas
procuro ir buscar ensinamentos aonde eles estão”, decidi ler as
crónicas de AC J e outros textos de sua autoria e fui-me dando conta
de que involuntariamente recontextualizava determinadas frases, ou
até parágrafos inteiros, e convertia esses pensamentos em projecções
luminosas aplicadas à reflexão interpretativa do trabalho de AC J
como artista, designer e animador cultural, concluindo pela
respectiva pertinência esclarecedora, ao mesmo tempo que reconhecia
nelas a coincidência reconfortante com a minha leitura das dimensões
ética e estética da sua Obra.
Estou certo de que, para idênticos fins, muitos outros fragmentos se
poderiam juntar a estes. Mas não pretendo apresentar aqui um
“levantamento” exaustivo, tão-só um punhado de exemplos que, para o
caso, não carecem de ser citados por critério cronológico, antes
somente de conteúdo.
Depois do fazer é preciso o refazer.
in “O paradoxo da razão”, catálogo da exposição Desassemblages, 1998
…Trata-se então de ir à margem das razões e reconstruir o que
existe, espécie de peregrinação ao passado dos objectos, destroços
de si mesmos e operar uma apropriação das suas histórias,
reconvertê-los, retirando-lhes a funcionalidade que tiveram.
in “O paradoxo da razão”, catálogo da exposição Desassemblages, 1998
Interessam-me duas coisas essenciais: as ideias e as decisões.
in “A casa das velhas”, Entreposto 5, 2002
Em qualquer perfume… é a essência que produz o aroma
in “A casa das velhas”, Entreposto 5, 2002
A única vitória é aquela que operamos sobre nós próprios
in “Torna-te como água”, Entreposto 5, 2002
Cumprida a Obra, o santo afasta-se
…entre passado e devir, entre linguagens e culturas.
in “Alquimia criativa”, Entreposto 3, 2002
…transmutação não da matéria mas antes da ideia
in “Alquimia criativa”, Entreposto 3, 2002
O pensar criativamente já não pode ser um acto individual.
in “A matéria inovadora”, Entreposto 3, 2002
… a inovação mais não é do que uma potencial mais valia para que
se não depositem os ovos todos numa única cesta.
in “A matéria inovadora”, Entreposto 3, 2002
Hoje as sociedades tendem a desconhecer fronteiras e a conjugar a
mesma linguagem económica.
in “A reinvenção do ábaco”, Entreposto 3, 2002
… não acredito na compartimentação dos saberes em bunkers
estanques.
in "A iniciativa segundo Schubert”,
Entreposto 5, 2002
Todos temos algumas culpas na tendência para o etnocentrismo.
in “Educação umbilical”, Entreposto 3, 2002
Criar é um acto de descodificação e de antecipação de cenários e
visões do desenvolvimento das heranças culturais inerentes àquele
que cria. Não é a esse acto, de todo indiferente, o peso da cultura
dentro da qual se opera o acto de criar, porque é nas tradições
religiosas, éticas e morais, ou pela sua negação, que assenta este
processo.
in “Criatividade e lugar”, Lugar de cidadania, 1998-99
O acto de criar advém então, não na ascensão ao divino mas na
perceptibilidade da essência, na nulificação do ego enquanto
entidade ciente e física convivendo com uma realidade feita de
aparências, de ilusões que tendem a toldar, camada sobre camada, o
âmago da consciência pura, despida de interferências conducentes ao
conhecimento mais depurado de níveis de realidade diferentes.
Como já se referiu, não é indiferente ao acto de criar a geografia.
Preside esta ao próprio nascimento criativo, determinando-lhe
cenário, circunstância e herança cultural, definindo-lhe raízes de
onde deverá fazer crescer outras, subordinando-o a um contexto de
onde também deverá sair, para depois, regressar prodigamente.
in “Criatividade e lugar”, Lugar de cidadania, 1998-99
Será pois dos arquétipos e dos signos que o criativo recorre para
estabelecer a sua linguagem específica.
in “Criatividade e lugar”, Lugar de cidadania, 1998-99
Ao criativo, perante as tecnologias, depara-se-lhe um novo campo
de intervenção, não apenas no âmbito da linguagem virtual, mas mesmo
na recuperação e actualização de outras formas mais tradicionais de
expressão.
in “Criatividade e lugar”, Lugar de cidadania, 1998-99
… além de novas ordens económica, jurídica e mesmo de governação,
a era digital da sociedade da informação anuncia alternativas de
criação artística sobre suportes imateriais, mas nem por isso menos
democratização que a xilogravura, a litografia, a gravura sobre
metal ou a serigrafia.
in “Criatividade e lugar”, Lugar de cidadania, 1998-99
… a hora deles se vai chegando à medida que se fina um tempo para
a outro dar lugar.
in “Nas comissuras do tempo”, Lugar de cidadania, 1998-99
… perdida a razão de uma ordem, outra se apronta e abastece…
in “Nas comissuras do tempo”, Lugar de cidadania, 1998-99
A caducidade dos conceitos vigentes alarga-se não só à própria
criação artística, como também ao próprio âmbito da Economia e do
Comércio.
Ao nível da pintura por exemplo, e na era onde o virtual é digital,
o pintor do futuro deixará de usar pincéis, tanto quanto o gráfico
deixou de utilizar a cola para montar os textos. A pintura
liberta-se lentamente do oficinal acto de pintar, para se concentrar
na sua essência: a exploração de formas.
in “Entreposto e virtualização”, Lugar de cidadania, 1998-99
Eu, que sei pouco de pouco, apenas procuro ir buscar ensinamentos
aonde eles estão.
in “O Yin do Yang”, Lugar de cidadania, 1998-99
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